Roteiro de 9 dias pela Albânia

Roteiro de 9 dias pela Albânia

A Albânia foi a grande surpresa de 2023! Foi uma viagem um pouco inesperada porque tivemos que mudar todos os planos de última hora e organizar um roteiro inteiro em basicamente dois dias. Mas isso acabou por ser uma vantagem; viajar sem tanto planejamento deixa espaço para descobertas e encantamentos.

Vou compartilhar um resumo do nosso roteiro de 9 dias pela Albânia, que inclui alguns momentos de ócio, já que um dos objetivos da viagem era esse mesmo: fazer alguns “nadas” e descansar! Em geral, achei o país bem barato e seguro. Não há restrições de vestimenta. Recomendo fazer a viagem de carro para ter mais flexibilidade e liberdade.

Berat, a cidade das mil janelas

Um pouco de contexto: a Albânia é um país do Leste Europeu situado na região dos Balcãs e banhado pelo mar Adriático. Faz fronteira com Montenegro, Kososvo, Macedônia e Grécia. O território já foi dominado pelos Impérios Romano, Bizantino e Otomano e conquistou sua independência em 1912. Após a Segunda Guerra Mundial, a Albânia passou a ser liderada pelo ditador comunista Enver Hoxha e ficou praticamente isolada do resto do mundo até pouco depois de sua morte, em 1985.

RESUMO DA VIAGEM - 9 DIAS NA ALBÂNIA

Época/Clima: Outubro/Outono
Locomoção: Carro
Idioma: Albanês (mas dá para se virar bem com inglês 
e muitos falam italiano)
Moeda: Lek (100 lekë = aproximadamente 1 euro/5 reais - 2023)
Muitos lugares aceitam euro.

DIA 1 – TIRANA

Tirana é a capital da Albânia e sua cidade mais populosa e caótica. Grande parte desse caos vem do trânsito absolutamente insano (nos guiamos pelo Google Maps mas não dava para confiar muito, todos os dias ele nos mandava entrar em ruas que não existiam). Pegamos o carro alugado no aeroporto pela manhã e mergulhamos nessa loucura até chegar no nosso alojamento. Ficamos hospedados em um estúdio na região central, por isso fizemos tudo a pé. Considerando que há muitas opções baratas, recomendo fazer isso, imagino que não seja muito fácil depender do transporte público.

Saímos para nos abastecer com um lanchinho rápido antes de começar a turistar e encontramos um lugar super agradável e isolado da bagunça urbana, era um corredor com alguns bares/restaurantes universitários onde um grupo de meninas tocando violão me levou de volta para os meus tempos de adolescente ouvindo Avril Lavigne. Infelizmente não anotei o nome do lugar, mas fica no Bulevardi Zogu I, perto da Faculdade de Ciências Naturais.

Seguimos para o centro passando pela enorme Praça Skënderbej, o coração da cidade, onde fica o Museu de História Nacional, a Torre do Relógio (Kulla e Sahatit) e a Ópera, entre outras atrações. Alguns passos depois chegamos no Bunk’art 2, um antigo bunker transformado em museu. É um lugar impactante e interessante para entender um pouco da história política recente da Albânia. Há milhares de bunkers espalhados pelo país, eles foram construídos na época da Guerra Fria e nunca foram usados. Os recursos financeiros desperdiçados deixaram grande parte da população na pobreza.

Saindo de lá, passamos pela Shëtitorja Murat Toptani, uma rua pedonal com bares, cafés e restaurantes, até chegar à área do antigo castelo, que já não tem mais nada de castelo e hoje é um conjunto de restaurantes e lojas de produtos típicos. É uma parte fofinha da cidade, mas bem turística.

Paramos para comer nos arredores do Mercado Municipal Pazari i Ri (que pareceu ser um lugar incrível, mas as bancas já estavam fechando quando chegamos) onde descobri e me apaixonei por um queijo branco delicioso que acabei comendo todos os dias de diferentes formas, já que eles comem no café da manhã, como petisco e na confecção de alguns pratos.

Eu não amei Tirana. Achei uma parada estratégica interessante para começar a viagem e tenho certeza que há muito mais a explorar, mas achei um dia inteiro na cidade tempo suficiente.

Hospedagem em Tirana: Syncron Apartments | Studio renovado no centro de Tirana.

Rua Shëtitorja Murat Toptani, em Tirana

DIA 2 – BERAT

No segundo dia, dirigimos aproximadamente 2h e chegamos em Berat, Patrimônio Mundial da UNESCO e um dos meu lugares favoritos da viagem! Berat é conhecida como a cidade das mil janelas e parece um cenário de conto de fadas!

Começamos pelo castelo, no topo da colina (gratuito). Sua área é gigantesca e os destaques são o mirante, que tem uma vista espetacular para a cidade e para o rio Osum, e a Igreja da Santíssima Trindade. Além disso, é uma delícia se perder pelas ruas de pedra e admirar os tapetes artesanais expostos nas lojinhas.

Escolhemos ao acaso o restaurante Mbrica e a experiência foi incrível! Quando chegamos estava rolando uma apresentação de dança típica super animada, mas sem aquela aura de pega-turista. Sentamos em um terraço em meio às árvores e com gatinhos de rua como companhia (eles estão por todos os lados). As porções não eram grandes, mas estava tudo muito bom e o preço era ótimo!

À noite descemos para o centro da cidade, perto do rio, onde estava acontecendo um evento de vinhos da região. Provamos um vinho do Kosovo, comemos uma pizza e voltamos para o alojamento. Ficamos hospedados na casa de uma família albanesa, em um quarto aconchegante com janelas enormes com vista para a cidade e o castelo. A dona era super simpática e nos trouxe aperitivos de boas-vindas, além de um café da manhã caprichadíssimo com produtos locais.

Hospedagem em Berat: Guesthouse Emiljano | Quarto em bed and breakfast. Simples mas muito aconchegante e com ótimas vistas.

Castelo de Berat
Rio Osum, em Berat
Igreja da Santíssima Trindade, em Berat

DIA 3 – BERAT E Vlorë

Passamos a manhã ainda em Berat pois queríamos caminhar um pouco pelo centro e ver a paisagem com as casinhas de dia. A cidade é super pequena e é perfeitamente possível visitar no caminho para outro destino, mas recomendo passar uma noite para poder fazer tudo com calma e curtir o clima do lugar. Uma dica: mesmo que esteja hospedado perto do rio, vale a pena ir de carro até o castelo, a subida é enorme e muito íngreme, e lá em cima tem estacionamento grátis.

Depois seguimos para a etapa preguiçosa da viagem. Dirigimos em torno de 3h até chegar em Vlorë, onde ficamos 3 dias em um resort. Apesar de ser um resort, o lugar era simples e a comida mais ou menos, mas a piscina era uma delícia e o quarto tinha uma vista espetacular para o mar. Como já era outubro, início da baixa temporada, a maioria dos hotéis, resorts e beach clubs da região litorânea já estavam fechados, mas isso acabou por ser uma vantagem para nós, que pudemos curtir praias quase desertas! Essa mesma viagem na alta temporada seria completamente diferente, com praias pagas e lotadas.

Fomos até o centro da cidade para jantar e encontramos o Vani, melhor restaurante da viagem! Um lugar super simples e barato, com comidas típicas deliciosas e fora do aglomerado de restaurantes enlatados à beira-mar. Foi tão bom que voltamos no último dia (coisa que raramente faço em viagens, gosto de explorar sempre coisas novas).

Hospedagem em Vlorë: Coral Hotel & Resort | Quarto em resort simples à beira mar.

Coral Hotel & Resort, em Vlorë
Pôr do sol em Vlorë, Albânia

DIA 4 – Vlorë

O hotel que ficamos era em frente ao mar, e era possível mergulhar através de uma escada, mas não havia praia e as praias mais urbanas no centro de Vlorë não pareciam tão interessantes, por isso pegamos o carro e dirigimos mais ou menos 2 horas até a Drymades Beach, na região de Dhërmi. O caminho é longo mas passa por paisagens interessantes com montanhas e vistas para a costa.

A praia é paradisíaca e estava completamente vazia (mas com algumas obras de hotéis, como descobrimos ser comum nessa época), e a temperatura da água estava uma delícia. Uma dica, a maioria das praias da Albânia são de pedra, por isso leve sapatos aquáticos.

À noite fomos novamente para Vlorë e andamos um pouco pelo centro histórico, que consiste em duas ou três ruas com restaurantes e lojas, um lugar fofinho mas com preços mais altos. Para jantar, escolhemos um restaurante bem simples e barato (já não lembro o nome), mas dessa vez teve que ser na base da mímica mesmo, pois os funcionários não falavam uma palavra em inglês.

Drymades Beach na Albânia

DIA 5 – Vlorë

Nesse dia choveu quase o tempo todo e acabamos ficando no hotel. Só saímos à noite para ir jantar no centro da cidade. Fomos até a ponte Zvërnec, que liga o continente a uma ilhota onde há uma igreja, mas já estava escurecendo. No caminho de volta cruzamos com um pastor e suas cabras, o tipo de cena com a qual eu amo me deparar em viagens.

Ponte Zvërnec

DIA 6 – Sarandë

Depois do check-out, seguimos para Sarandë, aproximadamente 2h30 de viagem rumo ao sul. No caminho, paramos em um bunker abandonado (Big Bunker) num lugar cenográfico e em um mirante logo depois dele. Passamos o dia na Borsh Beach, em Dhërmi, outra praia perfeita e vazia. Uma coisa que eu mudaria no roteiro seria ficar alguns dias em Dhërmi em vez de Vlorë, já que as praias são muito mais bonitas!

Chegamos no fim da tarde e a vista do hotel era simplesmente para a ilha grega de Corfu! O hotel ficava na parte alta da cidade, que não tem muitos atrativos, por isso recomendo ficar mais próximo do mar. Além disso, caso vá na baixa temporada, é bom estar atento pois alguns serviços no hotéis podem não estar disponíveis, como café da manhã e piscina (como foi o nosso caso). Outra opção é ficar em Ksamil, a mais ou menos meia hora de distância e onde ficam as principais praias.

Sarandë é uma cidadezinha pequena e ela acontece basicamente na orla, onde há uma diversidade de restaurantes, bares e cafés. Foi a parte mais cara da viagem, mas ainda assim é barato se comparado a outros países da Europa.

Hospedagem em Sarandë: Olympia Hotel | Quarto em hotel com vista para Corfu.

Bunker abandonado no litoral da Albânia
Borsh Beach (sim, é uma vaca!)
Vila de Sarandë e ilha de Corfu

DIA 7 – KSAMIL

Esse foi outro dia de relax total. Fomos para Ksamil e, desviando das praias mais famosas e pagas, rodamos até encontrar uma prainha escondida, vazia e grátis, com água extremamente cristalina. Ir nessa época do ano é curioso porque muitos beach clubs fecham e simplesmente deixam algumas estruturas na praia, como camas, guarda-sóis, puffs etc. Eu imagino que essas praias devem ficar o caos no verão, com trânsito e muita gente. É possível contratar passeios de barco para conhecer outras praias, mas não estávamos nessa pegada. À noite jantamos no centro de Sarandë.

Praia em Ksamil
Ksamil, Albânia

DIA 8 – CORFU, GRÉCIA

A ilha grega de Corfu fica muito perto de Sarandë, e como ainda não conhecíamos a Grécia, decidimos fazer um bate-volta para lá. Gostei muito, mas só tivemos tempo de conhecer o centro histórico. Recomendo passar pelo menos uma noite na ilha para poder alugar um carro e conhecer as praias também.

Há dois tipos de barco; o normal, que leva em média 1h30, e o rápido, que chega em cerca de 30 minutos. É possível comprar os bilhetes no site da Finikas Lines ou nas agências que ficam perto do porto. No nosso caso, que foi de última hora e já não havia muitas opções, fomos de lancha rápida e voltamos com o barco normal (com direito a um pôr do sol incrível). Lembrando que a Grécia faz parte da União Europeia e a Albânia não, então é preciso chegar com antecedência tanto na ida como na volta para passar pela imigração.

Em breve farei um post completo sobre o dia em Corfu.

Na volta, jantamos no restaurante que mais gostei em Sarandë, o Haxhi. Adorei a decoração, o preço e a comida! No fim ainda trazem um aperitivo e um bolinho de cortesia.

Bate-volta na ilha de Corfu, na Grécia
Pôr do sol no mar Jônico

DIA 9 – Blue Eye E Girokaster

No último dia da viagem, fomos conhecer o Blue Eye, uma nascente cujas tonalidades de azul são deslumbrantes! Para chegar lá, é preciso caminhar um pouco por um percurso curto com subidas e descidas e algumas paisagens interessantes pelo caminho. Há um bar/restaurante de apoio e uma loja de souvenir.

A água do lago é muito gelada e há placas indicando que é proibido nadar, mas algumas pessoas se aventuram. A força da água no local da nascente é tão forte que empurra para longe quem tenta se aproximar. O lugar é lindo, mas como atrai muitos visitantes, não é muito tranquilo, por isso ficamos pouco tempo e partimos para o próximo destino: Gjirokastër.

Caminho para o Blue Eye
Blue Eye

A cidadedezinha de Gjirokastër foi outro ponto alto da viagem, tão fofa que parecia um cenário de filme. A atração principal é o castelo, mas decidimos não visitá-lo. Caminhamos um pouco pelas ruas de pedra com chão de mosaicos, repletas de restaurantes e lojas vendendo artesanatos, produtos típicos e os tradicionais tapetes. Almoçamos no Kujtim, um restaurante super agradável de comida típica albanesa (com muitas opções vegetarianas). Descobrimos sem querer que havia uma visita guiada a um bunker e como custava só 2 euros, decidimos ir. Ele é mais simples do que o de Tirana, mas o fato de ter a explicação o torna mais interessante.

Como o voo do dia seguinte era muito cedo, devolvemos o carro à noite e ficamos hospedados em um hotel do lado do aeroporto.

A Albânia tenciona entrar para a União Europeia e acredito que em alguns anos vai ficar tão popular como a Croácia, principalmente como destino de praia, mas por enquanto ainda é um país barato e surpreendente.

Hospedagem perto do Aeroporto de Tirana: Hotel Vila Zeus | Quarto em hotel a 10 minutos a pé do aeroporto.

Gjirokastër repleta de lojas de tapetes, artesanato e souvenirs
Gjirokastër

O que comer e beber na Albânia?

A culinária albanesa tem bastante influência de países como Itália, Grécia e Turquia. No primeiro dia em Tirana, perguntamos à dona de um mercadinho quais pratos típicos ela nos recomendava experimentar e ela nos fez uma listinha. Eu, como semivegetariana, destaco o byrek (folhado que pode ter vários recheios, como carne, queijo ou espinafre) e o fërges (queijo branco com molho de tomate e pimentão). Também comemos outros vários pratos de vegetais maravilhosos, mas não lembro os nomes. Para os carnívoros há bastante opções, principalmente de carne de cordeiro, e na costa é muito comum encontrar pratos de frutos do mar, como o linguine de camarão.

O café da manhã foi um choque cultural! Na maioria dos lugares, além das coisas que estamos mais acostumados, como pão, manteiga e geléia, vinha também pepino e tomate, além do queijinho branco deles e às vezes salsicha ou byrek.

As sobremesas, como a baklava, lembram muito os doces árabes, com ingredientes como mel e pistache. A bebida típica da região é a rakia, um aguardente fortíssimo! As cervejas mais comuns são a Korça e a Elbar. Eles também têm uma cultura forte de chá, nas áreas de serra há várias barracas vendendo mel e umas flores secas que eles chamam de “chá da montanha”. Nós comemos muito bem na Albânia e achamos tudo muito barato no geral.

Comidas típicas da Albânia
Café da manhã albanês e lista de dicas de pratos típicos

Resumo e mapa do nosso roteiro de 9 dias pela Albânia

Dia 1: Chegada pela manhã | Tirana (Praça Skënderbej, Bunk’art 2, Shëtitorja Murat Toptani, antigo castelo, Mercado Municipal Pazari i Ri)

Dia 2: Tirana > Berat (Castelo e centro de Berat)

Dia 3: Berat > Vlorë

Dia 4: Vlorë (Drymades Beach, centro histórico de Vlorë)

Dia 5: Vlorë (Dia no hotel, ponte Zvërnec)

Dia 6: Vlorë > Sarandë (Big bunker, mirante, Borsh Beach)

Dia 7: Sarandë (Dia em Ksamil)

Dia 8: Sarandë (Bate-volta em Corfu)

Dia 9: Sarandë > Tirana (Blue Eye, Gjirokastër)

Dia 10: Partida pela manhã

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